Mudança de rota

Vale a pena fazer uma segunda graduação?

Escrito por formeieagora

Meu nome é Heloisa Bueno Negri Braga, escrevo por vários motivos: amei a ideia do “Formei, e agora?” (me identifiquei) e acredito que compartilhando minha história, também posso mostrar que não há uma fórmula, muito menos uma receita para “formar e entrar no mercado de trabalho”!

Sempre soube que queria atuar na área da Pesquisa, isso não é grande coisa…mas também sabia que era Pesquisa na área da Saúde. Pois bem, estava no cursinho e pesquisei bastante sobre qual curso deveria cursar para atingir este objetivo.

Com a ajuda de Professores e Orientadores de “Almas Perdidas” de cursinho, descobri que para atuar nesta área, deveria prestar vestibular para Biomedicina, Farmácia, Química, Biologia ou Medicina.

Tinha um preconceito com Biomedicina, não acreditei que através de Farmácia o caminho seria mais fácil, sabia que não queria ser médica e entre Química e Biologia, para desespero do meu pai, escolhi Biologia!

A minha escolha foi encarada como rebeldia de adolescente! Todos ao meu redor falavam: “Você quer dar aula?” ou “Você quer trabalhar com tartarugas marinhas?”.

Para aqueles que estão em dúvida sobre escolher Biologia, posso dizer que esta é uma profissão maravilhosa, da qual me orgulho demais!

Ser biólogo nos dias de hoje, não é uma das coisas mais fáceis da vida. Ouvimos muitas bobagens e não somos reconhecidos como deveríamos!

Voltando…entrei na Universidade Presbiteriana Mackenzie, no curso de Biologia, feliz da vida! Tinha certeza que aquele curso me traria uma nova forma de enxergar a VIDA e que conseguiria entrar na tão sonhada pesquisa!

No segundo semestre da faculdade assisti a uma palestra sobre Envelhecimento Cerebral. A palestrante era uma médica e falou sobre seu projeto na Faculdade de Medicina da USP (de Alzheimer) e fiquei super interessada.

No final da palestra fui uma daquelas pessoas que vai falar com o palestrante (se isso é chato ou legal, não sei, mas sei que isso pode valer um CONTATO! Portanto, não tenha vergonha de se apresentar e dizer o quanto algo te motivou).

Perguntei à palestrante como poderia me vincular ao projeto. Ela me deu um cartão com seus contatos, mandei um e-mail e ela me chamou para conversarmos sobre um estágio voluntário, topei na hora!

Era minha chance de ter meu nome vinculado a uma pesquisa bacana…tcharãn!!! Olha a pesquisa entrando na minha vida!

Aprendi coisas bacanas do mundo dos pesquisadores e acima de tudo, aprendi que o que eu queria chamava PESQUISA CLÍNICA, ou seja, pesquisa desenvolvida com seres humanos, e que aquilo que estava desenvolvendo ou fazendo parte se chamava PESQUISA BÁSICA ou PRÉ-CLÍNICA.

Quando finalizei este primeiro estágio, iniciei um segundo, na Associação Nacional de Assistência ao Diabético, e lá aprendi sobre a doença, tratamentos, prevenção e os cuidados diários…apliquei meus conhecimentos na minha Avó!

O terceiro estágio foi realizado também na FMUSP, no Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental.

Foram todos estágios curtos, voluntários e supervisionados; que me fizeram conhecer técnicas, pessoas e principalmente, o que queria e não queria!

Antes de terminar o terceiro estágio, procurei dentro da FMUSP, todas as linhas de pesquisa em desenvolvimento, com o objetivo de me vincular a uma que realmente me interessasse!

Encontrei um Laboratório de Hipertensão Experimental e lá me tornei uma aluna de Iniciação Científica, ou seja, dentro daquela linha de pesquisa que me interessou, desenvolvi um projeto de Iniciação Científica, consegui uma bolsa FAPESP e podia ir ao cinema agora! $

Neste projeto aprendi técnicas, li muitos artigos, escrevi os meus, limpei bancada, pipetei como nunca, cuidei de muitos ratinhos, pois eram eles que geravam meus resultados da pesquisa!

Com este projeto ganhei prêmios internacionais e me realizei dentro de um laboratório!

Enquanto isso, minha faculdade de Biologia ia bem, já tinha acabado a Licenciatura e estava acabando o Bacharelado. Estava no penúltimo semestre e as dúvidas foram chegando!

O que fazer quando a Iniciação acabasse? Um mestrado? Afinal, eu seguiria carreira acadêmica? Mestrado…Doutorado…Pós-Doc.? E um Doutorado sanduiche (meio Brasil/meio fora)?

Sempre tive TOC e comecei a colocar tudo no papel.

Acabar a faculdade e seguir carreira acadêmica? Cheguei à conclusão que na ‘coluna’ de “contras” havia mais coisas escritas do que na de “prós”.

Via meus veteranos se formando e com muitas dificuldades para entrar no mercado de trabalho! No Mackenzie o curso era realizado no período vespertino (de tarde) nos três primeiros anos; apenas o último era de manhã, ou seja, difícil para trabalhar!

Então tive a ideia de fazer uma segunda faculdade! Sim! Porque não?

Ouvi um “Eu te avisei!” do meu pai e prestei vestibular para Farmácia no Mackenzie mesmo, pois lá tinha o curso à noite.

Estranho fazer redação depois de quatro anos, mas fiz e passei! Com coragem fui cursar, por um semestre a Biologia de manhã e Farmácia à noite.

Na primeira oportunidade de falar com o Coordenador do curso (Querido Professor Robertinho!), falei “Quero entrar na Pesquisa Clínica!!! Me ajuda?! Já fiz Biologia e blábláblá!” (Desespero da aluna cansada de faculdade!).

No terceiro semestre da faculdade, ele me disse “Helô, tem um processo de estágio CNPq lá no InCor para trabalhar com Regulatório em Pesquisa Clínica, se inscreve!”. Fui ao mural da faculdade, peguei o contato e me inscrevi.

Fui chamada, entrevistada e comecei o estágio em 2010. Era eu, no Instituto do Coração da minha antiga FMUSP trabalhando com a minha querida Pesquisa Clínica!

Estou no InCor até hoje! Sou Monitora de Pesquisa Clínica Pleno e desenvolvo meu trabalho com o maior amor do mundo! A Pesquisa Clínica é encantadora, cheia de regras e boas notícias! Vida longa à minha escolha!!!

Entrei neste trabalho como estudante de Farmácia, mas fui contratada como Bióloga! Nada é por acaso!

Não foi fácil, mas não conseguiria sem:

Iniciar pela Pesquisa Básica e meus estágios voluntários; Correr o risco de fazer uma segunda faculdade e não uma pós na área da Bio; Pedir dica aos Mestres; Falar inglês!; Fazer contatos; Ler, ler, ler e ouvir, ouvir, ouvir!, Rezar e tomar café! Hahaha!

Tenham amor pelas suas escolhas, por mais que seja clichê, facilita na hora da dúvida!

Se puder ajudar em algo, entrem em contato pelo Linkedin ou pelo email helonegri@yahoo.com.br

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