Mudança de rota

Seguir o caminho que seus pais querem ou o seu próprio?

Escrito por formeieagora

Formei, e agora?

Esta foi, sem sombra de dúvidas, uma pergunta que eu me fiz! Eu comecei o curso de Engenharia de Produção influenciado pelos meus pais, como muitos. Frases como: “Se fosse eu, na sua idade faria tal curso” e “você até pode fazer tal curso, se quiser passar fome…”  eram comuns ao meu redor.

Eu me interessava pela área de ensino, psicologia, música e ciências biológicas mas sabia que não estava preparado para passar em medicina que, dentre os que me interessavam, era o único curso, na minha cabeça, que meus pais e família respeitariam. Por insegurança e imaturidade, típicas de um adolescente de 17 anos recém formado do ensino médio, acabei ingressando no curso de Engenharia de Produção da PUC-MG.

Como era de se esperar, não gostei do curso, desde o primeiro momento. Não queria estar ali, mas também não sabia onde queria estar e entre ficar parado e estudar, preferi continuar no curso. Com 18 anos recém feitos comecei a trabalhar no banco Bradesco S/A, na esperança de que me encontraria no mercado financeiro e que o salário me desse independência da minha família tradicional. Trabalhei por dois anos, cheguei a um posto de assistência de gerente, mas na primeira oportunidade pulei fora. Eu cheguei a estagiar na Belgo Bekaert Ltda., na minha área de estudo, onde me senti ainda mais perdido que no banco.

Minha meta passou a ser formar-me o quanto antes e tentar me encontrar em algum curso de pós graduação.  Dito e feito. Aos 22 estava formado em engenharia com uma sensação de perdido no peito. Terminei meu namoro de um ano, mudei-me para São Paulo (onde meus pais já moravam há alguns anos) e me matriculei numa especialização em Ciências do Consumo na ESPM.

O curso foi muito interessante, mas ainda percebia uma clara diferença de perfil entre eu e meus colegas. Estava participando de vários programas de trainee para recém formados e, no segundo ano da pós, passei em de uma companhia siderúrgica Mexicana, que me pagaria bem e daria grandes oportunidades de ascensão na engenharia (também teria que passar um tempo no México).

Por puro acaso do destino, um casal de amigos dos meus pais, que foram meus primeiros professores de música, (eu estudo música paralelamente desde a infância) vieram nos visitar algumas semanas antes de  eu receber a confirmação do programa de trainee. Eles me convidaram a trabalhar na escola de música deles com marketing e queriam me vender a escola de música deles. Aquela era a oportunidade que eu estava esperando pra sair da engenharia! Rejeitei o programa de trainee quando a senhora do RH da empresa me chamou para assinar a carteira! Entrei na escola de música e lá passei a me envolver mais e mais com este meio.

Tive que sair da escola pois percebi que não queria compra-la, mas lá surgiu a primeira versão do que veio a ser o meu primeiro álbum de músicas autorais! Após tantas reviravoltas, eu acabei caindo onde sempre quis estar. Tenho 25 anos estou cursando conservatório na faculdade Souza Lima em São Paulo, estudando piano e canto. Acabei de lançar meu CD, já ensaiei o show e estou trabalhando com a divulgação do meu trabalho agora!

Esta mudança de carreira acabou atrasando minha independência financeira, mas percebo que se eu tivesse investido nesta desde o princípio, estaria tão bem estabelecido quanto qualquer outro colega da engenharia. A sensação de incerteza que eu tenho agora é maior. Apesar disto, minha realização é muito grande e eu não trocaria minha carreira atual por nenhuma outra!

Por Hugo Marques

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