Trainee

Da faculdade de Direito a Trainee do Itaú

Escrito por formeieagora

Porque fui parar na UFMG?

Desde o ensino médio tinha claro que queria estar entre os melhores. Eu jogava basquete no Minas até os 18 anos e vivi a experiência de que quem treinava com os melhores, melhorava, enquanto quem treinava com gente mais fraca, no máximo se mantinha. Tinha para mim que o ambiente me jogaria para frente.

O que teria feito diferente

Hoje em dia vejo que era possível pensar até mais longe, poderia ter feito direito na USP ou mesmo graduação fora do pais, mas isso não era minha realidade na época, sabia que existia, mas não conhecia ninguém que tinha feito. Vou repetir isso varias vezes, exemplos são fundamentais.

Com vestibular unificado e mais publicidade das opções no exterior acho que quem quiser estar entre os melhores pode avaliar vim para os EUA desde a graduação.  Fato é que adorei a UFMG e o período lá, intensifiquei muito meus laços com a faculdade e com o Brasil, não sei se faria diferente, talvez.

A faculdade “bombonera”

Acho que aproveitei a maioria das coisas que a UFMG propiciava. Além das oportunidades de pesquisador, bolsista de extensão, movimento estudantil e intercâmbio no exterior acho que aproveitei também o que a UFMG tinha de melhor:  as pessoas. Ao participar dos grupos de estudos, em particular do GEDI, grupo de estudos em direito internacional, vi muitos exemplos legais. As pessoas falam inglês muito bem, muitas estavam indo ou voltando de intercâmbio no exterior, um xará meu (que hoje é diplomata) acabara de voltar de um estágio no BID, em Washington…

Os exemplos me inspiraram e fui atrás dessas oportunidades, como, por exemplo, fazer um estágio na ONU e estudar na Sorbonne, na Franca. Tal qual eu via a UFMG, eu via esses lugares como lugares de gente boa. Durante essas experiências ficou muito claro para mim que eu podia fazer qualquer coisa, ter qualquer profissão, mas eu precisava esta perto de gente que eu admirasse e que eu visse como me puxando para frente.

Lembro que no meu convite de formatura escrevi que a faculdade lembrada o estádio do Boca Juniors, la bombonera, de fora um prédio meio velho, por dentro uma atmosfera encantadora que pulsava com a energia das pessoas que estavam lá.

Chegando perto da hora de formar

No meu último ano de graduação fui atrás dos ex-alunos que admirava ver o que eles estavam fazendo. Depois de muitas viagens, eu queria ficar em BH naquele momento e fui atrás  em um ex-aluno de UFMG (Lucas Spadano) que voltara de mestrado na LSE, era advogado no Campos Fialho Canabrava que na época iniciava atuação em áreas do Direito que eu gostava como Comércio internacional e concorrencial. Eu coloquei um terno e fui lá pedir um estágio. Os sócios lá eram ótimos ex-alunos da UFMG e pioneiros em ter ido fazer mestrado nos EUA.  Apesar de estar adorando experiência lá eu…

Depois de formar 

… sempre gostei de politica pública e logo no final do curso surgiu uma chance de fazer um estagio de verão no CADE (Autarquia ligada ao Ministério da Justiça). Fui para ficar um mês, mas sendo contratado depois do estagio e fiquei quase um ano. Foi muito boa a experiência no governo, mas era final de mandato das pessoas que me impulsionaram a ir pra lá e vi uma propaganda do Itaú Unibanco na revista Economist. Achei uma multinacional brasileira que tinha metas ambiciosas na américa latina e estava com processo de trainee aberto. Sai do governo e voltei pra BH, mas minha ideia de voltar para o Campos Fialho em BH ficou em cheque com a chance no Itaú. Foi difícil sair da cidade natal, de um lugar que gostava de trabalhar e tinha um ambiente fantástico e só resolvi ir para SP depois de falar com família e com o sócios do escritório que foram ultra generosos comigo.

Trainee, Amigos da Vetusta e University of California – Berkeley

No trainee do Itaú me vi no tipo ambiente que gostava, tinha muita gente boa do Brasil todo. Os anos seguintes no banco foram de muito aprendizado com várias coisas novas e a velocidade e pressão do mercado financeiro. Três anos depois de formar me juntei com uns outros ex-alunos para lançar a associação Amigos da Vetusta (Vetusta é o apelido do Direito da UFMG), uma rede de ex-alunos para aproximar bons exemplos da escola e aumentar as oportunidades dos atuais estudantes por meio de mentoria e bolsas de estudos, tem sido uma experiência fantástica e uma forma de retribuir tudo que recebi da UFMG, focando no seu maior ativo, os alunos.

Seguindo o exemplos dos amigos do grupo de internacional na UFMG eu queria fazer mestrado fora, como me envolvi desde 2013 no banco com projetos ligados a inovação, vi no Vale do Silício o lugar natural para ir. Lá estavam  os melhores exemplos. Com generoso apoio do Itaú e de duas instituições incríveis: o Instituto Ling e a Fundação Estudar estou cursando atualmente mestrado na UC Berkeley. Na volta ao Brasil vou para a área de tecnologia do Itaú tocar um projeto que fundei com trainees do meu ano focado na interação do banco com start-ups.

No futuro, quero continuar perto de gente boa fazendo coisa que impacte a vida das pessoas. Assim como cresci num país melhor do que aquele que meus pais cresceram, quero ajudar a criar um país com mais oportunidades para meus filhos e as próxima gerações de brasileiros. Acho que o governo e políticos podem ajudar, mas a responsabilidade principal é nossa, da sociedade, de viabilizar o país futuro.

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formeieagora

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