Mudança de rota

E se seu caminho profissional estiver fora da sua área de formação? Pode acontecer!

Escrito por formeieagora

Decidi pelo jornalismo muito nova, aos 14 anos de idade. O fato de eu ter insistido nesta escolha apenas significa que até os meus 19, idade com a qual ingressei na Faculdade Cásper Líbero, ninguém nem nada me fez parar para pensar em algumas coisas que só percebi quando estava na metade da minha graduação e que eu gostaria de ter sido alertada antes de fazer a minha escolha:

  1. 1. Não esteja tão certo de suas ideologias e escolhas, a faculdade irá te mudar muito, ou pelo menos ela deveria fazer isso com você. Lerá livros que jamais ouviu falar antes, conhecerá pessoas incríveis, sua mente irá se abrir para um mundo que você não conhecia e tudo pode mudar.

  2. 2. Tem certeza que dinheiro não importa? Fazer o que gosta é fundamental, mas, quantas coisas você pode gostar de fazer? Todo mundo fala da tragédia que pode ser perseguir só o dinheiro e se esquecer da felicidade, mas, ninguém te conta que também é bem difícil encarar a realidade, crescer e pagar contas. E que, talvez, suas paixões mudem.

Quando eu iniciei meu terceiro ano de Jornalismo, tudo em mim tinha mudado, inclusive minha ideia sobre a profissão e aquilo que eu almejava para o meu futuro. Com dois anos de antecedência, comecei a pensar “Vou me formar, como vai ser?!”.

Meu primeiro estágio, que iniciei já no meu segundo semestre da faculdade, colaborou muito para isso. Trabalhei em uma equipe de comunicação pequena e incrível, de uma empresa que  era extremamente nova. Aprendi muito. Aprendi que no trabalho você faz o que gosta, mas também faz muito mais que isso, e que é fundamental você acreditar na empresa para a qual trabalha e abraçar os objetivos dela como se fossem seus para atingir metas e fazer algo relevante na sua passagem por lá. Eu usava as técnicas de jornalismo que tinha aprendido, continuava trabalhando com comunicação e pessoas, que sempre foram e ainda são minhas maiores paixões, só que tinha muito de comunicação empresarial e marketing, e eu me interessei por estas áreas.

Comecei a ler e pesquisar sobre elas, decidi mudar meus planos de carreira, mas não podia mudar minha graduação, sabia o quão difícil era para os meus pais pagarem minha Faculdade e eu precisava trabalhar para ajudá-los. Além disso, queria ir até o fim, eu já tinha aprendido muito e acreditava, hoje tenho certeza, que o jornalismo me traria conhecimento fundamental para minha formação pessoal e profissional. Mesmo assim, meu plano era de mudança. Tive que sair do estágio para realizar o meu Work Experience de três meses e meio nos E.U.A., quando voltei, fui a procura de outro estágio, com o foco em trabalhar para uma empresa e não em uma redação ou agência de comunicação. Encontrei, mas ainda estava mais envolvida com comunicação do que com marketing. Para mudar, eu já sabia que só paixão não bastaria, teria que estudar, e comecei a procurar cursos de pós-graduação.

Para ter uma ideia da direção que deveria seguir, procurava o perfil no Linkedin de profissionais que admiro da área – para saber o caminho que eles trilharam, onde eles estudaram e para quem trabalharam. Cheguei a conclusão que só tinha duas opções: ou as melhores instituições de ensino na área no Brasil, ou as melhores de fora. Ambas requeririam muito esforço e dinheiro, este que eu nunca cogitei pedir aos meus pais, pois eles fizeram tudo que puderam por mim até a faculdade e, na minha cabeça, dali para frente, eu tinha que permitir que eles vivessem seus próprios sonhos e eu teria de dar conta de ir atrás dos meus.

Eu guardava todo mês entre 50% e 60% do meu salário e passei a ir atrás de toda e qualquer informação sobre bolsas de estudos. Este era meu plano A. Como plano B, eu me inscrevia em alguns processos seletivos para vagas em marketing, mesmo tendo estabilidade na empresa em que eu estava, pois, como disse, precisava ir atrás de aprendizado, e o plano B consistia em aprender trabalhando com equipes de marketing pelas quais tenho extrema adimiração. O plano C era tentar adquirir experiencia com empresas menores e, o plano D, sim, eu tinha um plano D, era tentar entrar em algumas empresas pela área de comunicação, em que eu já tinha certa experiência, para tentar migrar para o marketing.

Em 2014, após me formar, eu estava perdida como qualquer recém-formado, dividida entre os muitos sonhos e frustrações. Quando estamos prestando vestibular, e achamos que aquela é a pior, mais difícil e desafiadora fase de nossas vidas, nos imaginamos nos formando com um emprego garantido e ganhando milhares de reais. Quando nos deparamos com as incertezas e nos decepcionamos com o avesso do cenário que tinhamos imaginado, apesar de desesperador, ao menos aprendemos que, se desejamos ir muito alto, é sempre bom se preparar para desafios cada vez mais difíceis pela frente. E alí estava eu, colocando em prática todos os meus planos ao mesmo tempo, frustrada e perdida, confesso, mas consciente de que tinha uma guerra pela frente e que o mais difícil estava por vir.

O plano A, de longe, era o mais complexo. Estudar em uma boa instituição exige muita dedicação e preparação e eu não tinha sido preparada ou orientada para isso. Os processos seletivos, especialmente no exterior, são cheios de datas e burocracias e, se não estiver atento a todos os detalhes, pode perder uma oportunidade por uma besteira. Minha estratégia era focar minhas energias em três instituições no Brasil, uma na Espanha, uma na Itália, duas na França e uma na Alemanhã. Minha escolha foi baseada, em primeiro lugar, na relação entre qualidade e custos, e as chances de conseguir bolsas de estudo, e, em segundo, nas datas dos processos seletivos, podendo dividir minhas opções em três grupos, o que me daria mais tempo para me dedicar a cada um dos processos.

Eu nem acreditei quando passei na Espanha, que estava no primeiro grupo dos três. Para falar a verdade, eu não estava esperando. Achei que as primeiras seriam um teste em que eu poderia avaliar meus erros para as próximas candidaturas. Nunca ninguém me falou que eu poderia estudar fora, nunca, até eu começar a sonhar com uma profissão de sucesso e perder noites em frente ao computador tentando descobrir como alcançá-la.

Em agosto de 2014, eu participei da primeira Conferencia ENE e fui ganhadora da bolsa de estudos que eles dão ao melhor pitch. Chegou no momento exato, sem aquele valor eu não estaria em Barcelona estudando marketing hoje. Eu fui para o pitch com uma missão: eu precisava da bolsa, eu dependia dela para realizar este sonho. Foi essa verdade consciente que unia meu sonho a minha realidade – a barreira financeira que eu precisava vencer. E eu apostei tudo naqueles dois minutos assustadores que quase me fizeram desmaiar. Foi essa verdade que conquistou o prêmio.

Quanto ao sentimento de “e agora?!”, eu o vivo ainda hoje. Em dezembro, meu Máster acaba e eu já estou a procura de emprego aqui e no Brasil. A diferença é que agora eu sei o que quero, tenho “apenas” que trabalhar para conquistar. Há muita concorrência, muita gente boa no mercado, mas persistência, planejamento e, principalemnte, fazer as coisas com verdade, ter paixão, mas com consciência, com conhecimento, ciente da realidade, me fizeram chegar aqui, e sei que vão me fazer chegar muito mais longe.

Por Renata Zanquetta

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