Empreendedorismo

Quais outros caminhos a faculdade de Arquitetura pode oferecer?

Escrito por formeieagora

Cezar Augusto Figueiredo conta como foi de técnico de edificações a designer de móveis:

Arquitetura na minha vida foi um acaso que virou amor passional. Escolhi arquitetura por achar que era um curso generalista que me daria base para experimentar outras coisas que não a arquitetura – a bem verdade queria ser estilista.

Minha formação foi essencialmente na prática. Eu era técnico em edificações e trabalhava no serviço público na área de obras, logo em seguida fui para a Argentina trabalhar com obras sismo-resistentes, trabalhei em um escritório de design de interiores e terminei o curso trabalhando novamente no serviço público já como arquiteto. Então tive a chance de ter uma vivência prática de obras e projetos muito grande e muito mais ampla que o que a universidade oferecia. Isso condicionou minha formação de um jeito muito forte me dando muita segurança projetual e também me fez chegar ao final do curso muito desgastado e pouco entusiasmado com obras e construção.

Mas se houve esse esmorecimento, por outro lado criou em mim uma paixão grande em pesquisar outras arquiteturas e possibilidades de atuação. A bem verdade, no fim do curso me interessava muito mais áreas lindeiras à arquitetura. Nessa leva de interesses, um que sempre me foi muito forte foi o mobiliário. Passei o curso desenhando móveis como distração pro stress dos projetos e pesquisando profundamente a produção de designers que admirava.

Quando me formei já era certo pra mim que mais que um arquiteto eu era um arquiteto de móveis (parafraseando Lina Bo Bardi). Isso me levou a largar o serviço público e a arquitetura ‘lato sensu’ e procurar trabalho na área de móveis. Consegui um emprego em uma marcenaria gigantesca, com 200 funcionários e trabalhava na linha de frente de produção. Ali eu descobri uma paixão enorme e um encantamento com o processo de concepção e execução de mobiliário. Aprendi o máximo que pude pra na sequencia criar meu próprio estúdio focado em desenvolver arquitetura de móveis. Ali eu aprendi que era possível aplicar os princípios da arquitetura na produção de mobiliário e desde 2014 tenho um pequeno estúdio onde desenvolvo projetos para clientes.

Tenho a chance de pensar o mobiliário integrado a arquitetura e mais recentemente incorporei uma pequena marcenaria como parceira para fabricar os móveis projetados. Em 2014 também ingressei em um mestrado na área de ambiente construído no intuito de aprofundar meus estudos na madeira. E tenho desenvolvido uma pesquisa tecnológica com madeiras. Esse final de ano dei mais um passo importante e vou entrar no e-comerce vendendo uma linha de móveis em re-board (um papelão reciclado e reciclável, com resistências compatíveis com o MDF).

Biscoito, Favo e Toelho – coleção de bancos de design infantil em reboard criados pelo Cezar para sua marca Ventina.

Cada dia mais me apaixono com minha profissão e com os caminhos profissionais que venho tomando. É bom ver que a faculdade é uma peça importante nesse caminho mas que é possível traçarmos caminhos independentes e mais livres.

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