Empreendedorismo Mudança de rota

Conheça a história da Maria Bridageiro: de jornalista a empreendedora de brigadeiros

Escrito por formeieagora

Juliana Motter foi jornalista por 10 anos, até que decidiu levar sua paixão por brigadeiros a sério e abrir a primeira brigadeiria gourmet do Brasil – a Maria Brigadeiro.

A história da Juliana e do seu negócio é pura inspiração para o Formei, e agora? – sempre sonhei em ter uma loja de brigadeiros! ?

Mas só sonhar não basta. Tem que colocar a mão na massa por isso separamos esse post para você entender como a Juliana transformou seu sonho em negócio:

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Será que é a gente quem começa um negócio ou é o negócio que começa na gente? Nunca planejei abrir um ateliê especializado em brigadeiro, tudo aconteceu naturalmente, como deve ser aquilo que é verdadeiro. Hoje, recontando a história, entendo que meu ‘plano de negócios’ começou ainda no colo da minha mãe, quando provei brigadeiro pela primeira vez.

O tempo passou e, aos 19, chegou a hora de prestar vestibular. Não havia, na época, faculdade de gastronomia (muito menos de brigadeiro) e optei por jornalismo porque minhas redações da quarta série sempre ganhavam estrelinhas. Até os 28, o brigadeiro continuou sendo meu doce favorito e sempre dava um jeito de infiltrá-lo numa matéria aqui e ali. Hoje, pesquisando no Google, vejo que fui uma das jornalistas que mais escreveu sobre o doce – sem ter qualquer relação comercial com ele.

Chegaram, finalmente, os cursos superiores de gastronomia e aos 29 fui fazer um deles, meio que por acaso, para escrever melhor sobre o tema, que era uma das editorias da revista pelas quais eu era responsável. Cheguei nas aulas de confeitaria ávida por novas técnicas de preparo de brigadeiro e quando vi que não havia no programa qualquer referência ao doce (que é, afinal, o mais popular do Brasil), questionei a professora.
O que ouvi foi que “não havia nada para aprender sobre brigadeiro”. No entanto, passamos semanas penando para acertar o ponto (e a pronúncia) de um tal de macaron, que ninguém fazia ideia do que era e de onde vinha. Tive certeza de que o brigadeiro era um doce subvalorizado e que ninguém, até aquele momento, enxergava nele um potencial gourmet.

Arregacei as mangas e botei a panela no fogo, convencida a provar o contrario. Adaptei as técnicas clássicas às minhas velhas receitas (usei aquela aula de macaron, por exemplo, para criar um brigadeiro de amêndoa), juntei na massa tudo o que aprendi com a minha avó e o resultado foi um brigadeiro realmente diferenciado, que chamei de “brigadeiro gourmet”.

Até aqui, não tinha associado brigadeiro a negócio. A virada aconteceu espontaneamente, numa festa de amigos. Levei brigadeiros de vários sabores (as pessoas só conheciam o tradicional) e arrumei eles nos pratos de porcelana da minha avó. Fiquei sentada num canto, só observando a reação das pessoas. Não tinha quem não parasse na mesa de doces.

Quando as pessoas souberam que eu era a autora dos brigadeiros diferentes, perguntavam insistentemente se eu fazia para vender. Respondi repetidas vezes que “não”, que era jornalista. Três taças de vinho depois e uma década de certeza de que estava na profissão errada, disse que “sim”, que fazia para vender e que tinha um ateliê de brigadeiro gourmet”. Não tinha.

No dia seguinte, lá estava eu na redação, fechando o manual de “como conquistar o homem ideal em 30 passos” quando o telefone solidariamente tocou. Era uma convidada da festa da noite anterior fazendo a primeira encomenda oficial: mil brigadeiros. Minha primeira reação (depois de recuperar o fôlego) foi pensar em desfazer o mal entendido, dizer que eu era jornalista e que não havia um ateliê de brigadeiro gourmet com endereço fora da minha imaginação.
Não tive coragem. Aceitei o desafio.

Passei a noite na “rave” dos brigadeiros e no dia do evento sofri um segundo bullyng: uma amiga distribuiu um monte de cartões com o meu apelido, “Maria Brigadeiro”, e o número do meu celular. A brincadeira ficou séria. No dia seguinte meu telefone não parou de tocar. Tarde demais para voltar atrás. Depois de três meses insone (fazendo brigadeiro à noite e trabalhando na redação de dia) tive que escolher um dos dois. Fiquei com os brigadeiros, pois, aos 30 anos, finalmente entendi que a minha contribuição ao doce seria bem mais genuína do que sair prometendo homem ideal por aí.

E claro que nós fomos lá conferir os brigadeiros de pertinho?

Maria brigadeiro -jornalismo-formei-e-agora
Maria brigadeiro -jornalismo-formei-e-agora

Maria brigadeiro -jornalismo-formei-e-agora

Esse relato foi tirado do Blog do Empreendedor do Estadão de São Paulo onde a Juliana Motter escrevia uma coluna semanal contando suas experiências com empreendedora. Para ler o texto na íntegra acessem o link:

http://blogs.pme.estadao.com.br/blog-do-empreendedor/meu-plano-de-negocios-comecou-ainda-no-colo-da-minha-mae/

Sobre o autor

formeieagora

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