Diversos

RH sem resposta

Escrito por formeieagora

E no conhecido mundo do processo seletivo para trainees, Alfredinho se preparava para enfrentar os mistérios que sondam a dinâmica de grupo, onde não sabe se comporta como líder ou coadjuvante, se ri ou faz a piada. O fato era que o menino, orgulho da família, estava prestes a ter a chance de ingressar no sonhado mercado de trabalho – que por fora é interessante, até você entrar.

O temido RH, que Alfredinho só conhecia por relatos, era o departamento que semeava alegria e tristeza ao extremo. Eram como críticos gastronômicos, só que a especialidade era a degustação de trabalhos e comportamentos, bastava avaliar e dar a nota, levando a pessoa a ser chef estrelado ou a estar na sarjeta. E era pela avaliação deles, que o metódico menino-homem iria passar. Soube da tamanha exigência deles e que nem o CEO escapou, sendo reprovado 10 vezes em um processo seletivo de estágio. Até um dia desistir e abrir seu próprio negócio, onde se deu bem e acabou comprando parte da empresa em que ele apenas queria ser estagiário. Ainda assim, persistente, mesmo com o cargo alto, tentou mais duas vezes passar no programa de estágio e não foi admitido. Devia ser esse o motivo dele tratar com mais respeito os estagiários do que seus diretores.

charge---rh-sem-resposta--luc as-vidigal-formei-e-agoraAlfredinho estudou bastante sobre a empresa no Wikipedia, pesquisou tutoriais de dinâmicas de grupo e leu um pouco sobre arte cênicas, em como encenar o perfil de um jovem potencial executivo. Não deu outra, passou e logo foi convocado para a próxima fase. Animado com a notícia, perguntou quantas fases faltavam e a resposta foi desafiadora, afinal, ainda faltava um triátlon pra conseguir a vaga. Ele ainda seria testado no idioma inglês, espanhol e mandarim. Além das entrevistas com gestores, teria que jogar bocha com os conselheiros e ganhar uma partida de xadrez do CEO. Depois de todas as etapas, o RH ainda avaliaria se ele realmente tinha o perfil da vaga.

Os cochilos depois do almoço eram interrompidos pelas ligações do RH, avisando sobre as próxima etapas, era uma loucura. Alfredinho nunca se sentiu tão valorizado e caçado pelo mercado de trabalho, mal havia começado a carreira e já tinha a sensação de ser um executivo requisitado. A recrutadora da empresa até já o chamava pelo diminutivo do nome. Não havia ansiedade maior em ter a primeira assinatura na carteira como trainee. Passou em todos os testes possíveis, até no mais difícil, que era dançar preenchendo uma planilha sem deixar o bambolê cair. Estava tudo indo tudo bem, como o pequeno Alfredo sonhava, até uma tarde ele dormir e não ser acordado por nenhum telefonema. Isso não durou só alguns dias, foram semanas.

Angustiado sem saber o que tinha acontecido, Alfredinho calculava ter parado na fase decisiva do processo de trainee, a clássica “perfil e vaga, é namoro ou amizade?”. Mas, metódico que era, ele preferiu não incomodar o tão gentil RH. Ele ainda tinha a esperança de um retorno, uma justificativa, afinal, um potencial profissional não podia ser jogado ao vento assim. Matutava em suas noites de insônia “será que eles não gostaram do meu espanhol argentino interiorano? Ou acharam que trapaceei no jogo de xadrez? Por que diabos meu perfil não bateu com a vaga?”.  O jovem prodígio passou anos sem ter nenhum feedback e mesmo não possuindo assinatura na carteira, se aposentou pela Previdência Social por esperar demais a resposta de um RH. Com o dinheiro da aposentadoria precoce, contratou um detetive pra descobrir o motivo dele não ter sido contratado. Descobriu que o perfil dele tinha 98% de compatibilidade com a vaga, mas o exigido era 99,9%. Mas falaram que o CV dele estava cadastrado no banco de dados da empresa e caso surgisse uma oportunidade, eles iriam entrar em contato.

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Frederico Nardi Trainee formei e agora

 Nós entrevistamos o Frederico Nardi. Ele formou-se em Administração, prestou mais de 100 processos de trainee em 2013 e entrou para o Itaú, onde trabalha até hoje.
No hangout, Fred conta sua trajetória e oferece várias dicas para quem quer ser trainee.
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Essa crônica não define a visão do Formei, e agora? sobre processos seletivos e/ou trainees. É apenas uma forma descontraída de trazermos bom humor para quem está passando por processos de trainee, já passou ou pensa em passar.

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