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Estudar fora – você acha que não é possível ou não sabe por onde começar?

Escrito por formeieagora

Leonardo formou-se em Economia pela FGV e hoje faz mestrado em Barcelona, mas a trajetória dele é um pouco diferente e mostra que as coisas nem sempre são como pensamos;

Histórias de sucesso podem nos enganar e nos fazer pensar que a pessoa teve sorte, que ela teve pais ricos, que tudo foi mais fácil para ela, que ela tem um talento natural. Poucas histórias mostram o outro lado: o quanto a pessoa teve que se dedicar, tudo que ela teve que superar e como ela realmente chegou lá.

Aqui no Formei, e agora? nós gostamos do segundo tipo de história 🙂

Então aqui vai uma história inspiradora e surpreendente que mostra que não existe fórmula mágica para o sucesso, a não ser muita dedicação e persistência.


Meu nome é Leonardo de Siqueira Lima, sou paulista e morador da Zona Leste de São Paulo. Me formei em economia pela Fundação Getúlio Vargas e estou finalizando um mestrado em Economia na Barcelona Graduate School of Economics, na Espanha. E embora hoje eu possa dizer que tive algumas conquistas, as coisas nem sempre foram assim!

Minha mãe é professora da rede pública na prefeitura de São Paulo. Meu pai era mecânico de aeronaves na antiga VASP. Com o sacrifício deles eu estudava em um colégio particular, mas não tinha os hábitos de meus amigos. Viajar à Disney ou à Europa quando criança nunca foi uma possibilidade. Porém, os valores e exemplos que ele me deram foram mais importantes do que qualquer “presente” ou “recompensa”. Foi a partir deles que aprendi a importância que a educação teria no meu desenvolvimento, nas minhas conquistas e no meu destino.

Eles estavam certos! Quando eu tinha 16 anos, eu tinha o sonho de ser piloto da Aeronáutica. Após fazer um concurso com mais de 30 mil candidatos, estudando 15 horas por dia, eu passei em 25° colocado na Escola Preparatória de Cadetes do Ar (EPCAR). A EPCAR é a escola da Força Aérea Brasileira que prepara os futuros pilotos da FAB.

Leonardo de Siqueira Formei e agora

Por causa disso, o meu pai era um dos pais mais orgulhosos do mundo! Ele tinha servido na Aeronáutica com 18 anos e ver um filho seu estudando para ser oficial era motivo pra deixá-lo extremamente feliz! Essa felicidade durou pouco, porque, por uma tristeza do destino, o meu pai faleceu por problemas cardíacos, quando eu tinha 18 anos de idade e estava no segundo ano da EPCAR.

Apesar disso, eu continuei firme e terminei o ensino médio na EPCAR seguindo para Academia da Força Aérea (AFA). A EPCAR é um ensino médio para preparar melhor o futuro cadete. AFA é onde os cadetes de fato pilotam, fazem exercícios de campo, saltam de paraquedas, enfim, é onde o piloto de fato surge.

Embora aquilo fosse o sonho do meu pai, eu percebi que não seria ali que eu tiraria o melhor de mim. Eu me comparava com meus amigos de turma e vi que alguns tinham uma vocação muito mais natural do que eu para aquela atividade. Se eu gostava da FAB? Muito! Fazia Pentatlo Militar, pilotava, tinha amigos e independência! Além claro, de fazer algo que a população admira. Como não se deixar ser tentado pela oportunidade de ser piloto de caça?

Mas havia um problema… Eu sempre gostei de economia e de política e via que eu poderia fazer mais a diferença, dado o meu perfil, me dedicando a isso. Assim, após completar cinco anos na Força Aérea decidi deixar aquele local que havia mudado a minha vida.

Mas não sem antes saber qual caminho eu seguiria. E para isso eu tinha pesquisado quais eram as melhores universidades em Economia, tinha lido muito sobre a carreira e via que era natural para mim acompanhar a política e economia.

Assim que eu saí, com um pouco do dinheiro que guardei enquanto Cadete, passei dois meses na nova Zelândia, já que meu inglês não era dos melhores (pra não dizer que era péssimo). Voltando para o Brasil sabia que deveria estudar pro vestibular, então fui conversar com o coordenador do curso Poliedro (um dos melhores cursos pré-vestibular de São Paulo), pois eu sabia que alguns alunos ganhavam bolsas. Essa era uma etapa importante pois eu tinha perdido meu pai e minha família não estava em boas condições financeiras. Eu sabia que o Poliedro tinha turmas específicas para o ITA e para a AFA, então pensei “vou conversar com o coordenador”. Conversei primeiro com o coordenador geral o qual me deu um educado “não!”. Então, não me restava nada além da persistência, fui conversar com o coordenador de São Paulo. E ele me deu 85% de bolsa! Com uma mensalidade de aproximadamente R$ 2 mil reais, isso me dava um desconto de R$ 1.700 reais, nada mal.

Novamente, em mais um ano de cerca de 15 horas de estudo diário, com muito esforço, fui aprovado na FGV entre os 10 primeiros do vestibular, obtendo uma bolsa de estudos pela classificação no vestibular. Receber a bolsa era uma condição necessária para eu cursar a FGV (assim como foi no Poliedro), pois eu não tinha condições financeiras de pagar o valor da mensalidade.

Sempre gostei muito dos funcionários da FGV, posso dizer que somos amigos. O que me chamava atenção, é que nas conversas, eu via que eu tinha muito mais em comum com os funcionários de lá do que com os próprios alunos. Ao final do dia, era com os funcionários da FGV que eu pegava o mesmo ônibus e não com os alunos.

Isso pode parecer um detalhe, mas a história da minha família se confunde com a história de muitas famílias brasileiras de 50 anos atrás. Vieram do nordeste para São Paulo em busca de uma vida melhor. Meu avô era taxista, minha vó dona de casa, e quando eu parava pra pensar que o neto deles havia chegado na FGV eu me emocionava. Após quatro longos anos, passando mais de 2 horas diárias para ir e voltar da Zona Leste de São Paulo até a sala de aula, me formei em Economia na Escola de Economia de São Paulo da FGV.

Leonardo de Siqueira Formei e agora

Havia chegado a hora de buscar trabalho. Após alguns processos seletivos fui aprovado para ser Trainee do Itaú BBA, um dos maiores e mais importantes bancos de investimentos do país. Foi um trainee de muito aprendizado! Em seguida, trabalhei para uma empresa que auxilia empresas a fazerem fusões e aquisições – as chamadas Boutiques de M&A.

Apesar disso, eu ainda tinha uma vontade de realizar um mestrado no exterior e me direcionar mais para a área que eu gostava: economia e política. Após um longo processo de admissão, fui aprovado em dois mestrados na Holanda – Tilburg University e Amsterdam University e dois na Espanha – Carlos Madrid III e Barcelona Graduate School of Economics – todas entre as 50 melhores escolas de economia do mundo e as melhores escola de negócios de seus países. Após analisar cada universidade decidi escolher a Barcelona Graduate School of Economics.

Embora tivesse novamente uma boa oportunidade o problema de antes surgiu novamente. Eu não tinha dinheiro pra estudar fora. Os custos do mestrado eram aproximadamente €27 mil euros pelo período de duração do mestrado de 1 ano, ou seja, R$ 120 mil.

Você já pensou em estudar fora? O Leonardo criou um ebook  para compartilhar tudo que ele aprendeu sobre como se preparar para os processos de application de Universidades no exterior – clique aqui para baixar o seu ebook gratuito.

Foi então que analisando que alguns jovens estavam fazendo crowdfunding para financiar o seu estudo eu decidi realizar um também! A meta era ambiciosa R$ 30 mil reais! Após 2 meses de uma campanha árdua eu consegui realizar a maior campanha de crowdfunding de educação do país, angariando R$ 36.450 reais. Hoje, com a ajuda de muitos, estou finalizando meu mestrado em economia e assim que retornar ao Brasil (sim! não quero viver em outro país, quero viver em outro Brasil) pretendo trabalhar com macroeconomia e política!

 Leonardo de Siqueira Formei e agora

Até aqui você deve estar imaginando “nossa, que pessoa de sucesso, tudo deu certo na vida dele”. Bem, mais ou menos! A maioria das pessoas contaria somente essa parte da história. A maioria, mas para mim mais vale a história que muitos não contam. E sempre me inspiro em histórias de pessoas que tiveram muitas derrotas, que se sentiram perdidas, que as vezes ficaram desacreditadas. Comigo, obviamente não foi diferente, e tenho certeza que o futuro também terá uma parcela de: “o que eu faço?”, “e agora?”, “nossa, agora vai dar errado”, etc etc etc.

Digo isso pois embora possa parecer que eu tive muitas vitórias, a lista de empresas que me deram um “não”, ou os momentos em que eu falhei é muito maior! Eu poderia, sem muito esforço dar nome a umas 20 empresas que não me aceitaram. Eu poderia citar uns 10 momentos em que as pessoas desacreditaram de mim. Então, nos momentos que eu consegui me superar e atingir um objetivo eu não atribuo a outro motivo senão à persistência. E se eu pudesse passar uma mensagem, apenas uma, eu diria: “Nem sempre o que mais corre a meta alcança, nem mais longe o mais forte o disco lança. Mas o que, certo em si, vai firme e em frente com a decisão firmada em sua mente”.

Deixar uma carreira promissora e estável como piloto da Força Aérea, sem dúvida é um decisão difícil. O meu pai, que sempre teve o sonho de ver um filho ser piloto da FAB não está mais aqui para acompanhar, mas eu acredito que, onde quer que ele esteja, ele está vendo que, até agora, a decisão valeu a pena.


Quer entender melhor a crise política e ficar por dentro de questões sociais e econômicas de uma forma simples e mais descontraída? Então você precisa conhecer o Terraço Econômico – um portal criado pelo Leonardo!

E se você quiser conversar diretamente com ele,  nos escreva e nós fazemos a ponte entre vocês 🙂

Sobre o autor

formeieagora

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