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Enfermagem: qual outro caminho posso seguir dentro da área?

Escrito por formeieagora

Meu nome é Letícia, sou enfermeira e atualmente faço mestrado em enfermagem.

Minha trajetória começou no ensino médio, onde muitas dúvidas surgiram: desde a pressão em relação ao vestibular até a indecisão da escolha do curso. Escolhi a enfermagem devido a influência do meu avô – ele foi Pracinha na 2a  Guerra Mundial e era o melhor enfermeiro que eu conheci até hoje.

No começo do curso bate sempre aquela incerteza (tenho certeza que isso acontece com todo mundo), porém a medida que as matérias iam sendo vistas, fui descobrindo o meu amor pela pesquisa. No quarto período tive o meu primeiro contato com a pesquisa básica e foi amor à primeira vista. Na minha cabeça a ideia do enfermeiro que só poderia trabalhar na assistência foi dando lugar ao enfermeiro pesquisador.

Nesse mesmo período tive a oportunidade que mudou a minha vida: a tão sonhada vaga no Laboratório de Pesquisa em Tratamento de Feridas! Entrei como colaboradora e estou aqui até hoje, só que agora como mestranda.

Leticia Lopes Formei e agoraNo laboratório pude desmistificar a ideia de que enfermeiro bom é aquele que trabalha no contato direto com os pacientes, e aprendi a trabalhar diretamente com farmacologia e química medicinal. Comecei de baixo, como colaboradora, fazendo tudo que aparecia com o intuito de aprender o máximo que eu conseguisse (esse intuito continua até hoje), porém nem sempre é fácil, já que essa área na enfermagem não recebe o reconhecimento que merece. O preconceito vem por parte das outras profissões e da própria enfermagem, que acredita que o enfermeiro não tem a capacidade de desenvolver pesquisas básicas, porém o maior instrumento da enfermagem é o cuidado, e o desenvolvimento dessas pesquisas está diretamente ligado a isso.

Com o passar dos anos comecei a fazer projetos de iniciação científica e tecnológica e em 2012 me inscrevi para o programa do governo Ciência Sem Fronteiras. Achei que era impossível passar, mas depois de um tempo veio a resposta. Passei para o Canadá e para o Reino Unido. O presente veio em dobro! Optei pelo Reino Unido, já que haveria a possibilidade de cursar Medical Biotechnology, que é a área que eu trabalho dentro da enfermagem. E de 2012 a 2013 pude participar do primeiro edital do CsF e lá estudei bastante, enfrentei perrengues, fiz novas amizades, conheci lugares, fiz contatos profissionais e amadureci, voltando com um pensamento totalmente diferente, porém com uma única certeza: eu quero ser pesquisadora. Se tem um pensamento que eu admiro e gosto muito é aquele que diz que o trabalho deve ser um prazer, que quando você faz o que você gosta, ele passa de obrigação para alegria diária, e é isso que eu sinto, alegria!

Na volta nem tudo foram flores, tive problemas com o reconhecimento das disciplinas e acabei atrasando um ano do meu curso, porém voltei com uma bagagem enorme de aprendizados (faria tudo de novo sem precisar pensar). Como era de se esperar, fiz meu trabalho de conclusão de curso na pesquisa experimental e me preparei para a seleção do mestrado da Universidade Federal de Alagoas. A escolha desse mestrado foi muito bem pensada, já que ele é o único mestrado em enfermagem do Brasil que em tem em suas linhas de pesquisa a pesquisa experimental. Hoje consigo perceber que todas as escolhas feitas foram primordiais para o meu desenvolvimento nessa área (até as escolhas erradas); que a pesquisa vai muito além de uma bancada de laboratório e que a vida só é vida se aprendermos a conviver com a imprevisibilidade.

Após 5 longos meses de seleção, veio a resposta positiva e mais uma etapa pela frente: o tão almejado mestrado! Gostaria de abrir um parêntese para agradecer além da minha família, três pessoas especiais que me ajudaram e que quando eu pensei em chutar o balde e desistir, me trouxeram de volta a realidade, meu muito obrigada Regina Sales (minha orientadora acadêmica e da vida), Maria Gabriella (minha coorientadora e amiga) e Joice Fragoso (minha melhor amiga).

Hoje desenvolvo pesquisas experimentais na área da enfermagem, trabalho com plantas medicinais e materiais sintéticos voltados ao tratamento de feridas infectadas. Sei que os estudos que desenvolvemos aqui servirão de subsídios para a elaboração de tratamentos mais precisos e que possuam um custo econômico menor, além disso, eles ajudam no desenvolvimento local e fortalecem a conservação biológica do país.

Planejo terminar o mestrado e ingressar no doutorado e depois no pós-doc. Não consigo me imaginar fazendo outra coisa e o mais interessante é que lembrando da Letícia do primeiro ano de curso posso ver o quanto a vida é maluca: aquela Letícia não se imaginava onde a Letícia de hoje está.

Meu sonho e planos para o futuro é apenas continuar o que eu estou fazendo e aprender mais e mais, já que é possível sim fazer a diferença!

Letícia Lopes,

Enfermeira e Mestranda pela Universidade Federal de Alagoas.

Sobre o autor

formeieagora

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