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Formei em estatística, e agora?

Escrito por formeieagora
Onde os números podem te levar profissional e literalmente!
Conheça a trajetória da Carolina Peçaibes:

Sou formada no Bacharelado em Estatística da UFRGS, aos 25 anos. Trabalhei bastante desde a entrada na universidade, seguindo o caminho já tradicional do universitário que entra cedo no mercado de trabalho e sempre tem aquela disciplina pendente para se formar.

A entrada na universidade em 2009 foi, no entanto, no curso de Ciências Contábeis. A Estatística, como um curso menos conhecido, sequer estava entre as minhas opções. A primeira lição dessa minha experiência é que se deve explorar as opções de carreira de forma mais abrangente, inclusive não se atendo à graduação numa universidade. Entrando no curso aos 17 anos, em três meses já sabia que a contabilidade não era a área para mim.

Mas por algum motivo, não sentia que estava tão longe do meu objetivo. Assim, decidi fazer um “semestre exploratório”: matriculei-me nas disciplinas da administração, matemática, estatística, letras e direito disponíveis no curso de Ciências Contábeis, disposta a tomar uma decisão a partir dessa experiência. Esse semestre, juntamente com uma pesquisa a respeito do mercado de trabalho, me ajudou a tomar a decisão pela transferência para Estatística.

As disciplinas de início do curso não foram tão direcionadas à prática da profissão, mas a base de cálculo e probabilidade me manteve entretida durante os primeiros três semestres (há gosto pra TUDO, pensem assim). Mas foram as atividades práticas que me permitiram confirmar que estava no caminho certo. Estatística não é matemática pura e simplesmente, e a atividade de planejamento de pesquisa e interpretação permitiram a satisfação de transformar meu conhecimento teórico em conclusões práticas, me dando a certeza que estava na graduação certa.

Considero-me uma pessoa muito sortuda por ter encontrado um direcionamento razoavelmente claro da minha carreira por volta dos 22 anos. Nem todos tem essa sorte, mas isso não seria possível se não tivesse coragem de mudar de curso quando percebi que não estava no caminho certo.

A descoberta da área da Estatística em que poderia trabalhar foi mais complicada. O estatístico pode trabalhar em praticamente qualquer área, da epidemiologia à economia, passando pelo marketing, controle de produção e esportes. Minha primeira experiência profissional realmente aplicada foi com pesquisa na área imobiliária. Pude ter o gosto de participar de uma pesquisa da coleta à interpretação de resultados, o que deu uma satisfação pessoal bem grande. Mas não sentia a abertura para aplicar tudo que aprendia na universidade, e considerando a graduação uma época de experimentação, mudei para um emprego num banco, na área financeira, algo que objetivava desde que entrei no curso.

Essa experiência foi o choque necessário entre expectativa e realidade. Era o emprego que buscava desde que entrei no curso, mas seguia tendo um descontentamento não explicado. Assim tive a minha crise tardia de escolha de carreira, deixando-me “ser levada pelo fluxo” enquanto repensava minhas escolhas. O que levou ao segundo baque na minha carreira: fui desligada da empresa depois de dois anos. Poucos meses antes, já estava repensando meus planos, e a demissão inesperada deu-me coragem para colocá-los em prática.

Uma disciplina do curso de Estatística teve bastante impacto em mim, chamada Laboratório de Estatística. Nela, professores do curso assessoravam estudantes de diversos cursos, aplicando técnicas estatísticas para responder seus problemas de pesquisa de graduação, mestrado e doutorado. Uma variedade diária de assuntos e técnicas estatísticas aplicadas, satisfazendo minha necessidade de dinamismo e desafio na carreira. No mês do meu desligamento, lancei a Algarismo – Soluções em Estatística, com a premissa literal de solucionar problemas com estatística. Na atividade de apoio a trabalhos acadêmicos, pesquisas em empresas e aulas particulares, pude explorar as diferentes áreas da estatística… sem ainda ter uma resposta final de qual gostaria de seguir. O que não é uma coisa ruim!

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Na prática, as atividades da Algarismo são planejadas de acordo com o cliente. Pode ser a elaboração de um relatório de análise dos dados de sua dissertação, uma série de aulas de estatística básica, ou o apoio na criação de um instrumento de pesquisa. Coloquei como meta da empresa tornar a estatística compreensível para quem me busca. Via de regra, as atividades são realizadas à distância, um diferencial em relação a minha experiência no ambiente corporativo, que aprendi a valorizar bastante. Uma surpresa no trabalho com a Algarismo foi o prazer reencontrado em dar aulas particulares (eu, que havia descartado a licenciatura no início da graduação, voltava a ela de novo!), fazendo-me cogitar a vida acadêmica. Também cogito voltar ao ambiente corporativo, mais madura e levando paralelamente meu empreendimento.

A Algarismo segue como um projeto de vida, mas como muitas empresa atuando nessas épocas de crise, precisa de um suporte paralelo até estabelecer-se. Planejo explorar novamente o mercado de trabalho corporativo e, talvez mais adiante, a possibilidade de uma carreira acadêmica. É difícil não se sentir ansioso para que todas os planos se concretizem imediatamente, mas o que tento fazer é equilibrar a paciência e o risco, sem me acomodar, mas sem esperar o sucesso constante e imediato.

Sobre o autor

formeieagora

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